sábado, 12 de março de 2011

Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas


Ontem, sexta feira 14 de Março de 2011, assisti Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas, do tailandês Apichatpong - ou Joe, como costuma ser chamado. O filme é bem bom. Começa meio parado mas o diretor preenche as cenas com informações de maneira sutil. A cena de abertura diz bem o que vai ser o filme. O som ambiente domina e lhe insere diretamente na realidade das personagens, neste caso um boi que tenta uma fuga. Janelas, estradas, indicam dois universos e uma mudança, transição.
A personagem principal, que eu não lembro o nome, está doente, tem insuficiência renal, e sabe que morrerá em breve. Convida a cunhada para estar com ele nesse momento em sua fazenda, no meio de lugar nenhum. A véia vai. Lá tem um neto que o ajuda na drenagem algumas vezes por dia.
Alguns acontecimentos surreais ocorrem logo na primeira noite da coitada da véia lá. A mulher do senhor, a falecida Huay (essa lembro o nome), surge à mesa de jantar onde os dois véios e o neto estão sentados. O único que tem realmente medo, que corre mesmo, é o neto. Galera tá meio que de boa. Em seguida o filho desaparecido do véio reaparece como um homemmacacodosolhosvermelhosquebrilhamnoescuro (an?). Dessa vez a véia estila (ver a irmã morta há 19 anos é tranquilo, mas o sobrinho homemmacaco é demais!). Mas só de cara, quando descobre que é o pirraia, fica na buena! Daí em diante eles reagem ao acontecimento super naturalmente. Como se fosse normal um espirito e um homemmacaco sentarem à mesa para um jantar. Vêem fotografias e tudo mais!!! Atualizando a alma penada dos 19 anos que se passaram depois de sua morte. FOTOS DO SEU FUNERAL E ENTERRO TAMBÉM.
Acho que isso diz quase tudo do filme. Não acontece muito mais. A mulher do véio passa a companhar a ex-atual-família e ele vai noiando. Passando a fazer mais parte do outro universo. A discussão é do caralho. A maneira como se envolvem com a morte e com o folclore; a maneira como eles lidam com isso. E principalmente a maneira como o diretor apresenta esse assunto. Apesar do espírito e do homemmacaco, o filme realmente está longe de ser um religioso. É mais uma reflexão a respeito da vida. Mesmo a morte sendo, na minha opinião, a personagem principal, é a que menos aparece. As metáforas são postas de maneira simples, não se vê movimentos agressivos em relação ao roteiro. Mantêm-se o mesmo rítmo do começo ao fim, o que muda é o nosso interesse pela velocidade do filme. Gosto da maneira como ele domina o espectador.
O filme não é fácil. Tem que ir com a cabeça aberta e disposto a ver qualquer coisa (vá por mim, é surreal). No mais, irá surpreender. O som é quase que impecável. Talvez seja a prova do cuidado que se teve com a produção (sério, se eu fizesse esse roteiro no Brasil o povo ia rir de mim, mas na Tailandia, é, vamo lá). Também gosto dos efeitos, tem a cara dos “japa” mesmo. Mas o som, é incrível. Já no começo ele mostra pra que veio. Não há com não se sentir na floresta. É possível sentir a umidade, a temperatura. (Falo como um acreano, sei o que é uma floresta tropical). Muitos detalhes, muitos sons. O vento que bate na cortina, que roça na porta, perceba, ouça com cuidado, tem o som dela lá. Isso me aproximou demais do filme. É fácil se sentir lá, onde quer que seja.
Bom, é isso. Vale a pena ver. Surpreendentemente surpreende!

Todo dia, Menos Um Na Lista!

P.S.: essa é minha primeira postagem, quero por aqui comentários sobre os filmes que vi no dia anterior, sem nenhuma grande pretensão, nem analises aprofundadas, mais um registro para memória e um caminho para os amigos baixarem os mesmos filmes.

Link para Download:
http://www.filesonic.com/file/48875051/U.B.Who.C.R.rmvb

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