
Ontem, sexta feira 14 de Março de 2011, assisti Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas, do tailandês Apichatpong - ou Joe, como costuma ser chamado. O filme é bem bom. Começa meio parado mas o diretor preenche as cenas com informações de maneira sutil. A cena de abertura diz bem o que vai ser o filme. O som ambiente domina e lhe insere diretamente na realidade das personagens, neste caso um boi que tenta uma fuga. Janelas, estradas, indicam dois universos e uma mudança, transição.
A personagem principal, que eu não lembro o nome, está doente, tem insuficiência renal, e sabe que morrerá em breve. Convida a cunhada para estar com ele nesse momento em sua fazenda, no meio de lugar nenhum. A véia vai. Lá tem um neto que o ajuda na drenagem algumas vezes por dia.
Alguns acontecimentos surreais ocorrem logo na primeira noite da coitada da véia lá. A mulher do senhor, a falecida Huay (essa lembro o nome), surge à mesa de jantar onde os dois véios e o neto estão sentados. O único que tem realmente medo, que corre mesmo, é o neto. Galera tá meio que de boa. Em seguida o filho desaparecido do véio reaparece como um homemmacacodosolhosvermelhosquebrilhamnoescuro (an?). Dessa vez a véia estila (ver a irmã morta há 19 anos é tranquilo, mas o sobrinho homemmacaco é demais!). Mas só de cara, quando descobre que é o pirraia, fica na buena! Daí em diante eles reagem ao acontecimento super naturalmente. Como se fosse normal um espirito e um homemmacaco sentarem à mesa para um jantar. Vêem fotografias e tudo mais!!! Atualizando a alma penada dos 19 anos que se passaram depois de sua morte. FOTOS DO SEU FUNERAL E ENTERRO TAMBÉM.
Acho que isso diz quase tudo do filme. Não acontece muito mais. A mulher do véio passa a companhar a ex-atual-família e ele vai noiando. Passando a fazer mais parte do outro universo. A discussão é do caralho. A maneira como se envolvem com a morte e com o folclore; a maneira como eles lidam com isso. E principalmente a maneira como o diretor apresenta esse assunto. Apesar do espírito e do homemmacaco, o filme realmente está longe de ser um religioso. É mais uma reflexão a respeito da vida. Mesmo a morte sendo, na minha opinião, a personagem principal, é a que menos aparece. As metáforas são postas de maneira simples, não se vê movimentos agressivos em relação ao roteiro. Mantêm-se o mesmo rítmo do começo ao fim, o que muda é o nosso interesse pela velocidade do filme. Gosto da maneira como ele domina o espectador.
O filme não é fácil. Tem que ir com a cabeça aberta e disposto a ver qualquer coisa (vá por mim, é surreal). No mais, irá surpreender. O som é quase que impecável. Talvez seja a prova do cuidado que se teve com a produção (sério, se eu fizesse esse roteiro no Brasil o povo ia rir de mim, mas na Tailandia, é, vamo lá). Também gosto dos efeitos, tem a cara dos “japa” mesmo. Mas o som, é incrível. Já no começo ele mostra pra que veio. Não há com não se sentir na floresta. É possível sentir a umidade, a temperatura. (Falo como um acreano, sei o que é uma floresta tropical). Muitos detalhes, muitos sons. O vento que bate na cortina, que roça na porta, perceba, ouça com cuidado, tem o som dela lá. Isso me aproximou demais do filme. É fácil se sentir lá, onde quer que seja.
Bom, é isso. Vale a pena ver. Surpreendentemente surpreende!
Todo dia, Menos Um Na Lista!
P.S.: essa é minha primeira postagem, quero por aqui comentários sobre os filmes que vi no dia anterior, sem nenhuma grande pretensão, nem analises aprofundadas, mais um registro para memória e um caminho para os amigos baixarem os mesmos filmes.
Link para Download:
http://www.filesonic.com/file/48875051/U.B.Who.C.R.rmvb
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